Notícias Expresso

Açúcar e pressão alta: o vilão silencioso que vai além do sal

Por que o sal sempre levou a culpa

Durante muito tempo, o sal foi tratado como o principal responsável pela pressão alta. De fato, o excesso de sódio provoca retenção de líquidos e aumenta o volume de sangue nos vasos, elevando a pressão arterial. No entanto, essa explicação, embora correta, é incompleta. Pesquisas mais recentes mostram que outro componente da dieta moderna tem papel igualmente relevante nesse processo.


O açúcar como fator de risco ignorado

O açúcar desempenha funções importantes no metabolismo, mas quando consumido em excesso, principalmente na forma refinada e adicionada a produtos industrializados, ele se transforma em um inimigo silencioso da saúde cardiovascular. Diferentemente do que muitos imaginam, seu impacto não se limita ao ganho de peso ou ao risco de diabetes.

O fígado metaboliza grandes quantidades de açúcar de forma semelhante ao álcool, convertendo o excesso em gordura. Com o tempo, esse processo favorece o acúmulo de lipídios, a resistência à insulina e o surgimento de inflamações crônicas, fatores que contribuem diretamente para o aumento da pressão arterial.


Como o açúcar aumenta a pressão arterial

Um dos mecanismos mais preocupantes está ligado à liberação de insulina. Sempre que há consumo elevado de açúcar, o organismo responde produzindo mais desse hormônio. Como consequência, os rins passam a reter mais sódio e água, elevando o volume de sangue circulante.

Na prática, isso significa que o açúcar potencializa os efeitos negativos do sal. Mesmo pessoas que reduzem o uso de sal na comida podem continuar com a pressão elevada se mantiverem uma dieta rica em açúcar adicionado.


Açúcar escondido em alimentos do dia a dia

Outro problema está na dificuldade de identificar o açúcar presente nos alimentos. Ele aparece nos rótulos sob diferentes nomes, como sacarose, glicose, frutose, xarope de milho, dextrose, maltodextrina e até melado ou açúcar mascavo.

Produtos aparentemente inofensivos, como cereais matinais, iogurtes, molhos prontos, pães e bebidas industrializadas, concentram grandes quantidades desse ingrediente. Dessa forma, o consumo diário ultrapassa facilmente os limites recomendados, muitas vezes sem que a pessoa perceba.


Qual é o limite seguro de consumo

Recomendações amplamente aceitas indicam que o consumo diário de açúcar adicionado não deve ultrapassar 24 gramas para mulheres e 36 gramas para homens. Ainda assim, uma única lata de refrigerante comum pode conter mais açúcar do que esse valor.

Estudos mostram que pessoas que obtêm entre 17% e 21% de suas calorias diárias a partir do açúcar adicionado apresentam um risco significativamente maior de morte por doenças cardiovasculares em comparação com aquelas que mantêm um consumo mais baixo.


Estratégias para reduzir o açúcar na alimentação

Reduzir o açúcar não significa abrir mão do prazer de comer bem. Priorizar carboidratos complexos, como grãos integrais, frutas e legumes, ajuda a manter níveis mais estáveis de glicose no sangue. Além disso, evitar bebidas açucaradas e optar por preparações caseiras permite maior controle sobre os ingredientes.

A leitura atenta dos rótulos também é fundamental, especialmente quando o açúcar aparece entre os primeiros itens da lista de ingredientes.


Sal e açúcar: uma combinação perigosa

O sódio continua sendo um nutriente essencial, mas seu excesso eleva a pressão arterial. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a recomendação diária é de até 2.300 mg de sódio. O problema é que grande parte desse consumo vem de alimentos industrializados.

Quando altas quantidades de sódio se combinam com muito açúcar, os efeitos negativos sobre o coração e os rins se intensificam. Por isso, olhar para o açúcar com a mesma atenção dedicada ao sal é um passo essencial para quem busca controlar a pressão arterial e preservar a saúde cardiovascular.

1 comentário

Publicar comentário