Delcy Rodríguez assume presidência interina da Venezuela após captura de Nicolás Maduro
Mudança abrupta no comando da Venezuela
A Venezuela viveu uma reviravolta política no sábado, dia 3, quando a vice-presidente Delcy Rodríguez foi anunciada como presidente interina do país. A mudança ocorreu após a captura do então líder venezuelano Nicolás Maduro, durante uma operação militar especial conduzida por forças dos Estados Unidos.
O anúncio marcou um dos momentos mais tensos da história recente do país. Em poucas horas, a estrutura de poder foi colocada em xeque, enquanto autoridades, aliados políticos e a população tentavam compreender qual seria o novo rumo da Venezuela diante de uma intervenção estrangeira sem precedentes.
Quem é Delcy Rodríguez
Delcy Rodríguez, de 56 anos, construiu sua trajetória política dentro do chavismo ao longo de duas décadas. Filha de Jorge Antonio Rodríguez, um guerrilheiro marxista que ganhou notoriedade nos anos 1970, ela teve formação acadêmica parcialmente na França, onde se especializou em direito trabalhista.
Com o passar dos anos, Delcy ganhou espaço dentro do regime bolivariano, tornando-se uma das figuras mais influentes do círculo de poder. Apesar de integrar uma ala ideológica do chavismo, ela passou a ser vista como uma liderança capaz de dialogar com setores estratégicos da economia, investidores estrangeiros e diplomatas internacionais.
Imagem de tecnocrata em um governo militarizado
Diferentemente de outros nomes do alto escalão venezuelano, Delcy construiu uma imagem de tecnocrata cosmopolita. Em um governo frequentemente descrito como militarista e predominantemente masculino, sua atuação chamou atenção por adotar um discurso mais pragmático e orientado à gestão econômica.
Esse perfil foi determinante para que ela ganhasse protagonismo nos últimos anos. Ainda que mantenha fidelidade ao projeto chavista, Delcy passou a atuar como ponte entre o Estado e o setor privado, buscando preservar algum grau de estabilidade em meio a um cenário de crise profunda.
A relação com os Estados Unidos
De acordo com informações divulgadas por oficiais americanos ao jornal The New York Times, Delcy Rodríguez impressionou integrantes do governo do então presidente Donald Trump por sua atuação na gestão das reservas de petróleo da Venezuela.
Segundo fontes envolvidas nas negociações, intermediários convenceram Washington de que Delcy poderia proteger e incentivar futuros investimentos energéticos americanos no país. Esse fator teria pesado na decisão dos Estados Unidos de reconhecê-la como presidente interina após a captura de Maduro.
Reformas econômicas e tentativa de estabilização
Após o colapso econômico que devastou a Venezuela entre 2013 e 2021, Delcy assumiu papel central em reformas consideradas mais favoráveis ao mercado. Durante sua gestão em áreas estratégicas, promoveu privatizações pontuais de ativos estatais e adotou uma política fiscal descrita como relativamente conservadora.
Essas medidas ajudaram a criar uma aparência de estabilidade econômica antes da operação militar americana. Além disso, permitiram que o país estivesse um pouco mais preparado para enfrentar o bloqueio imposto pelos Estados Unidos a petroleiros sancionados, em um momento em que o petróleo seguia como principal fonte de sustento da economia venezuelana.
Contradições no discurso oficial
As contradições em torno do novo governo ficaram evidentes poucas horas após a posse interina. Durante um pronunciamento transmitido pela televisão estatal, Delcy Rodríguez se referiu repetidamente a Nicolás Maduro como o “único presidente” da Venezuela.
Ao mesmo tempo, autoridades americanas afirmaram publicamente que Delcy havia sido empossada como nova chefe de Estado e que já mantinha contato direto com representantes dos Estados Unidos. Ainda assim, veículos oficiais venezuelanos continuaram a identificá-la como vice-presidente, reforçando a ambiguidade institucional do momento.
Ascensão política dentro do chavismo
Delcy ganhou destaque no círculo chavista após a morte de Hugo Chávez, em 2013. Com a chegada de Maduro ao poder, ela foi nomeada ministra da Comunicação e, posteriormente, tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de chanceler da Venezuela.
Em 2018, foi promovida à vice-presidência e passou a chefiar também o Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional, o SEBIN. Dois anos depois, acumulou a função de ministra da Economia, ampliando ainda mais sua influência sobre os rumos do país e iniciando um diálogo mais direto com elites empresariais.
Sanções internacionais e histórico familiar
Apesar de sua projeção política, Delcy Rodríguez é alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos, Canadá e União Europeia. As punições estão relacionadas ao seu papel em apoiar e supervisionar ações de repressão contra dissidentes políticos na Venezuela.
Seu histórico familiar também pesa em sua trajetória.
O papel do irmão no governo
Além disso, Delcy mantém laços diretos com o núcleo duro do poder venezuelano por meio de seu irmão mais velho, Jorge Rodríguez. Ele é o atual presidente da Assembleia Nacional e considerado o principal estrategista político de Maduro ao longo dos últimos anos.
Essa proximidade reforça as dúvidas sobre até que ponto o governo interino representaria uma ruptura real com o passado recente ou apenas uma reorganização interna sob nova liderança.
O que os EUA esperam do governo interino
Oficiais americanos afirmaram que a relação com o governo interino dependerá da disposição de Delcy Rodríguez em seguir regras impostas por Washington.
Apesar disso, integrantes do governo americano afirmaram que ainda é cedo para conclusões definitivas. Mesmo após a condenação pública de Delcy à operação militar, Washington demonstrou otimismo cauteloso quanto à possibilidade de cooperação futura.
Um cenário ainda indefinido
A posse interina de Delcy Rodríguez ocorre em um ambiente de extrema instabilidade política, institucional e social. Enquanto apoiadores de Maduro seguem tratando-o como líder legítimo, a comunidade internacional observa atentamente os próximos movimentos.
Dessa forma, a Venezuela entra em um período marcado por incertezas profundas, no qual decisões tomadas nos próximos dias podem redefinir não apenas o comando do país, mas também seu posicionamento geopolítico e econômico no cenário internacional.



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